sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Palavras...









“É quando me acho em minhas palavras, que você se perde nelas.”


Palavras...
Um universo inteiro de poesias não escritas...
 De sentimentos, ainda não formulados.
Talvez por ousadia minha as tente descrever,

 Talvez...
Mas de que adianta sentir se não as tentarmos entender?
Para que entender então?
Se ao descrevê-las poderiam as confundir com sordidez ou pornografia barata?
A meu ver, torna-se cada vez mais delicioso andar no fio da navalha,
O perigo de cortar-me é o que me move agora e a cada letra,
Cada frase escrita sentir as pernas trêmulas...

É viciante!
E que venha os vícios sadios,
Que seja eu consumido pelas minhas palavras,
Que sejamos, eu e você incinerados neste fogo das palavras...
 Que minhas palavras sejam a lenha, o combustível para aumentar esta chama
À nos consumir...
É quando me acho em minhas palavras,
Que você que se perde nelas,
A se entregar em flor aberta para meu deleite.
Chove lá fora exatamente agora.
 O som da chuva nos convida pra brincarmos sob ela, `
E nem ela seria capaz de apagar agora o fogo das palavras que escrevi ou venha a escrever.
Pode ser que nos molhemos...
Podemos nos molhar mesmo!
Mas talvez seja esta a intenção!
É a lei das águas...
Molhemo-nos,
Hoje e sempre!
Quem sai na chuva tem que se molhar mesmo!
Valerá a pena verte com um sorriso neste rosto molhado de chuva ou de mim.
E que nos afogue cada gota caída do céu.
E que elas sejam navalhas a lhe rasgar os pudores,
A lhe deixar despida deles...
Que seja então!
E nesta dança sob a chuva e ainda envolto dos vapores dela,
Que possamos nós, nos sentir também no céu...
E como anjos degustar dos prazeres divinos do amor.
E que as nuvens, nos protejam de olhares sujos e condenáveis...
E que não nos derrube nenhuma má sorte de raios...
Que não sejamos anjos caídos...
Que não sejamos anjos expulsos do paraíso.
Que não o sejamos nunca!
Que não possamos sentir os abalos sob nossos pés...
Sejamos delicados a nos movimentar nesta dança.
E nos movimentemos com cuidado...
Para que os demônios da infelicidade não despertem...
E nos ataquem vorazes por nossa alma...
Que este amor nos de passe livre para podermos viajar sempre...
Que sejamos o vento nesta rota Céu e Terra.
E que percebas que nosso amor foi multiplicado pelos grãos de areia na ampulheta do tempo...
E que ao contrario do que aparentava, o tempo nos foi generoso.
Sejamos nós agora, a própria areia a deslizar por entre a ampulheta.
E sejamos embalados por cada tombar de ciclo...
E que o movimento nos misture...
Nos cale só por um momento apenas...
É quando me acho em você, que você se perde nas palavras...
Que eu me perco em mim. 

 
Dersan Magalhães

Um comentário:

Anônimo disse...

E como não se perder num emaranhado de palavras desses...?
Tem muito sentimento, muita busca, muito do muito...
Não se tem o que dizer em meio a tantas palavras a tantos desejos...